Vivemos uma era em que a tela não nos entrega apenas notícia; ela nos coloca dentro da cadência de um fluxo contínuo de informações. A matéria recente sobre o tema, veiculada pela CNN Portugal, levanta uma questão central: o doomscrolling pode provocar ansiedade patológica? Além de afetar o humor, esse comportamento também pode distorcer a tomada de decisão em momentos de incerteza. O que está em jogo vai muito além da irritação momentânea: é sobre como a mente humano opera sob repetição de estímulos negativos, e como isso reverbera no desempenho pessoal, organizacional e na saúde emocional.
Um olhar neuropsicológico sobre ansiedade e decisão
Quando a curiosidade diária encontra uma avalanche de más notícias, o cérebro responde com um aperto de alerta. A amígdala entra em ação, o cortisol sobe e o processamento racional pode ficar ofuscado pela urgência emocional. O resultado não é apenas desconforto; pode haver impacto na clareza de prioridades, na avaliação de riscos e na qualidade das escolhas — especialmente em contextos profissionais que exigem foco, equilíbrio e empatia. A leitura da notícia nos convida a reconhecer esse ciclo e a buscar estratégias que não neguem a realidade, mas que protejam a saúde mental, sem fechar portas à informação confiável.
O que podemos fazer: estratégias práticas
- Estabeleça janelas de consumo: reserve momentos específicos para checar as notícias e evite rolar a tela sem propósito. A ideia é transformar o consumo em um gesto consciente, não em uma resposta automática ao estímulo.
- Pratique bem-estar digital: use filtros, resumos curtos, fontes confiáveis e, quando possível, reduza a exposição a feeds que aceleram o pânico. Transformar o excesso em curadoria já é um ato de autocuidado.
- Descompressão diária: crie rituais que desliguem a mente da tela antes de dormir. Respiração, alongamento, journaling ou uma leitura suave podem acelerar a transição para o sono restaurador.
- Comunicação responsável: ao conversar sobre notícias, priorize a precisão, questione fontes e evite confirmar boatos. Falar com empatia reduz a ansiedade coletiva e sustenta vínculos saudáveis.
- Curadoria de hábitos, não de ilusões: trate o consumo de informação como um recurso — útil quando bem administrado, prejudicial quando vira hábito que rouba tempo, foco e energia.
- Tecnologia como aliada, não como vilã: utilize ferramentas que apoiem o foco, como modos de leitura simplificada e notificações apenas para informações cruciais. A meta é ter controle, não ser controlado pela tela.
O SPIND em ação: terapeuta, empresário e buscador na prática
Para além da manchete, o tema toca três “almas” presentes na nossa visão de mundo: o terapeuta cuida do autocuidado, promovendo práticas que fortalecem a resiliência emocional; o empresário aprende a liderar com clareza em momentos de ruído, reconhecendo que decisões sob pressão exigem pausa consciente e checagem responsável; o buscador, por sua vez, evolui ao cultivar curiosidade disciplinada, evitando o fanatismo informacional e buscando sentido no fluxo de dados. A tríade inspira uma abordagem integrada: manter o coração humano no centro, usar a mente com método, e transformar cada desafio informativo em oportunidade de crescimento, inovação e responsabilidade.
Caminhos para 2026: bem-estar digital como vantagem competitiva
A ciências da saúde mental e a neurociência apontam que nossa relação com a informação pode se tornar uma vantagem ou uma vulnerabilidade. Em 2026, a diferença estará na qualidade da curadoria, na capacidade de manter foco em meio ao ruído e na disposição de transformar o consumo de notícias em decisões mais conscientes. O jornalismo responsável, aliado a práticas de bem-estar digital e a uma liderança que prioriza a saúde mental, pode sustentar ambientes de trabalho mais produtivos, criativos e humanos. O insight é simples: informação não é inimiga, mas exige disciplina — e essa disciplina pode ser aprendida, treinada e compartilhada.
A matéria nos lembra que o problema não é a notícia em si, mas a forma como a consumimos, a frequência com que retornamos a ela e o peso emocional que permitimos que ela carregue em nossas escolhas.
A ideia central é que cada um pode transformar a experiência de se manter informado em um ato de cuidado próprio, de responsabilidade com a equipe e de evolução pessoal. Ao combinar neurociência com práticas de bem-estar digital, criamos um ecossistema mais resiliente, capaz de navegar pela complexidade sem abrir mão da humanidade.
Um convite à prática consciente
Convido você a experimentar um pequeno experimento pelos próximos dias: defina limites claros, ajuste a curadoria e observe como sua tomada de decisão, seu sono e a qualidade das conversas com colegas e familiares mudam. Pequenos ajustes podem ter impactos amplos — na sua energia diária, no seu humor e na sua capacidade de liderar com empatia e eficiência.
Provocação final
E você, que limites vai estabelecer hoje para navegar pela enxurrada de informações sem abrir mão da sua saúde, do seu foco e da sua curiosidade? Qual primeiro passo você pode implementar já, para transformar o consumo de notícia em uma prática que sustente sua mente, sua liderança e sua vida?
🔍 Perspectiva baseada na notícia: O Psicólogo Responde: o 'doomscrolling' pode provocar ansiedade patológica? 🔗 Fonte